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Globalização para todos os gostos
Por Paulo Roberto de Almeida
O economista indiano Jagdish Bhagwati
da Columbia University pergunta, no
frontispício dessa obra, se o mundo precisa
de mais um livro sobre a globalização.A
pergunta é pertinente, pois, desde a popularização
desse conceito no início dos anos
90, rios, talvez oceanos de tinta já foram
vertidos em prol ou contra a globalização.
O movimento antiglobalizador - que se vê
como altermundialista, sem jamais ter explicado
de que seria feito esse “outro mundo”
- deve seu sucesso ao fenômeno que
vitupera em encontros movidos mais a transpiração do que a inspiração.
O propósito de Bhagwati é outro: nem
atacar, nem elogiar, mas explicar como
funciona esse processo em todos os seus
aspectos e ver o que fazer para aperfeiçoálo.
Os maiores beneficiários são, obviamente,
as multinacionais, mas os pobres
dos países emergentes também vêem sua
prosperidade aumentar, como o provam
milhões de chineses e indianos. Os antiglobalizadores
agitam temores, mas não
dão provas concretas de que ela produza
pobreza, concentração de renda ou destruição
das culturas nacionais.
A primeira parte do livro é justamente
dedicada à compreensão do movimento
contrário à globalização, constatando, no
entanto, que ela é benéfica não só do
ponto de vista econômico, mas também
social.Na segunda parte, o autor analisa as
implicações sociais, examinando a distribuição
da riqueza pelo comércio e trabalho
(com redução da exploração de crianças),
a promoção das mulheres, da cultura
e da democracia.Mostra que os benefícios
dos investimentos diretos são muito superiores aos problemas.
A terceira parte aborda os aspectos “incômodos”
da globalização: movimentos
de capitais de curto prazo e fluxos de pessoas.
Bhagwati não apóia a liberalização financeira
e critica o “complexo Wall Street-
Tesouro” (que engloba instituições, como
o FMI e o Banco Mundial). Ele comprova,
com satisfação, que a ultraliberal The Economist
acabou rendendo-se às suas teses.A
quarta parte quer fazer a globalização funcionar
melhor e aqui também Bhagwati se
distancia dos antiglobalizadores, pois preconiza
o gerenciamento adequado pelos
organismos multilaterais que eles querem
enterrar. O autor discorda, portanto, de
que a globalização necessite de uma face
humana: isso ela já tem, mas pode-se sempre
melhorá-la. Em conclusão, Bhagwati
recomenda um pouco menos de paixão e
um pouco mais de razão aos críticos da
globalização.
Paulo Roberto de Almeida
(pralmeida@mac.com; www.pralmeida.org).

