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Edição 6
Abril/2004

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Lição de casa
O acesso ao livro e o gosto pela leitura são fatores essenciais para o crescimento econômico. O Brasil começa a tomar providências para resolver seus problemas nessa area.

Por Felipe Lindoso, de São Paulo

Um dos melhores exemplos do poder de propulsão das compras de bibliotecas é o que acontece nos Estados Unidos, onde existem 117 mil bibliotecas de todos os tipos. Em 2001, a indústria do livro faturou 25 bilhões de dólares e as bibliotecas responderam por 5,7 bilhões de dólares de compras, ou 22,8% do total. O conjunto de bibliotecas, segundo a Associação das Bibliotecas Americanas (ALA, da sigla em inglês), incluí, entre outras, 9.129 bibliotecas públicas, 3.527 acadêmicas e 93.861 de escolas.

Editoras Apesar de o Brasil ainda estar longe do patamar norte-americano, as compras governamentais garantem o principal filão da indústria do livro: em 2003 representaram 43% dos 222,5 mil exemplares de livros vendidos, ou 19% do faturamento total do setor, que foi de 2,4 bilhões de reais, segundo o Diagnóstico do Setor Editorial Brasileiro produzido pela CBL e pelo Snel. Mas as compras governamentais não foram suficientes para reverter o quadro de queda das vendas.

Dados preliminares de um estudo encomendado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos economistas Fábio Sá Earp e George Koonis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), indicam que houve queda de 48% no faturamento real das editoras em oito anos. "Isso configura uma situação gravíssima. Os indicadores da economia brasileira como um todo foram muito melhores do que os das editoras", diz Earp.

A pesquisa mostra também que o Brasil gasta muito pouco com suas bibliotecas e que cada uma das 13 maiores editoras do mundo vende sozinha mais do que todas as editoras instaladas no país. "A queda do faturamento mostra a concentração das vendas em best-sellers, por um lado, e a deterioração do sistema de distribuição, com o fechamento de pequenas livrarias", diz Raul Wassermann, editor e ex-presidente da Câmara Brasileira do Livro.

Superar essa crise exige medidas de longo prazo e nesse sentido a maioria dos representantes do setor aposta no Plano Nacional do Livro e da Leitura e saúda os benefícios fiscais concedidos pelo governo federal. Earp assinala que o momento é propício tanto para que se discutam políticas de longo prazo e maneiras de fazer que a indústria editorial cresça, como para contribuir para o desenvolvimento do país com a publicação e o consumo de mais livros.

"A desoneração das contribuições deu oxigênio ao setor, que estava à beira da asfixia", assinala Carlos Augusto Lacerda, presidente da editora Nova Fronteira. Sérgio Machado, presidente da Record Editora e ex-presidente do Snel, acredita que o fundamental é "aumentar o tamanho e o poder aquisitivo da classe média, para termos um mercado de massa. Sem isso, o livro é um produto de elite".

Oswaldo Siciliano, atual presidente da CBL e dono de uma grande cadeia de livrarias e de editora, diz que "a nova regulação dos preços dependerá do comportamento do mercado, do repasse dessa redução entre editoras, distribuidoras e livrarias". Ampliar as feiras do livro, como as bienais internacionais do livro de São Paulo e do Rio de Janeiro, bem como levar para o interior esse tipo de iniciativa são formas que a indústria do livro encontrou para tentar frear a queda das vendas, mais forte nos anos em que a economia foi marcada por recessão e desemprego.

Democratizar o acesso à leitura, tomar medidas para fortalecer a indústria do livro e reduzir o preço de vendas permitirão atender à demanda revelada na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil: 89% dos entrevistados consideram o livro um meio eficaz de transmissão de idéias; 82% acham que é uma forma fundamental de se atualizar; 81% acreditam que é importante ler para os filhos; 78% gostam de ler livros; 62% leram ou consultaram livros no último ano; 30% leram livros nos três meses que antecederam a pesquisa; 20% compraram ao menos um livro no ano; 14% estavam lendo um livro no dia da entrevista.

E o que eles lêem? Principalmente livros religiosos, inclusive a Bíblia, histórias em quadrinhos, livros de informática, aventura, poesia, culinária e literatura juvenil. Há, portanto, espaço para que a indústria editorial ganhe mais viço. E para que os brasileiros se habilitem a operar a máquina do desenvolvimento econômico com maior competência - o que resultará em mais riqueza para todos.

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