Publicidade
Edição 9
Julho/2004

Publicidade
Caixa
Embraer
Imprimir

Finanças
Dinheiro farto e barato
Começa a se estruturar no Brasil a indústria de capital de risco, essencial para o fortalecimento das empresas inovadoras e seu ingresso no mercado de ações.

por Edmundo M. Oliveira, de Brasília



Potencial
Outro exemplo veio da Grã-Bretanha. O Advent International Corporation já está criando um terceiro fundo para a América Latina, com recursos de 300 milhões de dólares. Seu raio de ação, explica o diretor Patrice Etlin, abrange Brasil, México e Argentina. "Já investimos em sete empresas brasileiras e em três delas - Microsiga, Aché, do setor farmacêutico, e Atrium, de telecomunicações - já houve o desinvestimento", diz. "Estamos interessados em companhias maduras, com faturamento anual entre 60 milhões e 70 milhões de reais." A exceção foi a Microsiga, na qual o Advent entrou sem assumir o controle acionário, uma das políticas do fundo. "Nossa trajetória de sucesso no Brasil nos permitiu fazer a captação do segundo fundo em 2002, apesar da instabilidade reinante no período eleitoral."

O potencial do mercado de capital de risco também começa a atrair os poderosos fundos de pensão, como é o caso da Petros, dos funcionários da Petrobras. "Já investimos em cinco fundos de venture capital, três deles formados dentro do programa Inovar, da Finep", diz o diretor de renda variável da instituição, Ricardo Malavazi. Recentemente, a diretoria da Fundação Petros decidiu ampliar o investimento em renda variável de 16% para 23% do seu patrimônio de 24 bilhões de reais. "A meta é aplicar 0,5% do patrimônio em capital de risco e já temos autorização para chegar, rapidamente, a 0,3%", informa Malavazi. "Temos participação em 60 empresas, através de cinco fundos de investimento."

Álvaro Gonçalves, da ABVCAP, espera que a atitude da Petros atraia outras fundações de previdência. "Se o investidor brasileiro não mostra interesse em aplicar recursos no capital de risco e produzir casos de sucesso, ficamos sem argumentos para atrair investidores estrangeiros, em que se destacam os grandes fundos de pensão. Êxito, confiança e boas práticas são quase tudo nessa indústria. É esse o caminho que precisamos trilhar."

Do lado das empresas interessadas em atrair investimento de risco "o segredo é adotar, o quanto antes, boas práticas de governança corporativa", sugere Consentino, da Microsiga. A governança corporativa é um conjunto de regras que, atendidas, garantem a transparência da empresa: números auditados, conselho de administração totalmente independente e práticas de sociedades abertas, mesmo antes da participação em bolsa de valores. Isso aumenta a capacidade da empresa em atrair investimento de risco, tanto no estágio de venture capital quanto na passagem para o private equity.

Como se vê, há mesmo um novo cenário no Brasil. E ele tende a favorecer as empresas inovadoras, tão importantes para que o país aproveite melhor seus talentos e as oportunidades abertas no mercado internacional.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3


Copyright © 2007 - DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.
Revista Desafios do Desenvolvimento - SBS Quadra 01, Edifício Bndes, sala 801 - Brasília - DF - Fone: (61) 3315-5188